Leishmaniose em Cães: Sintomas, Tratamento e Prevenção
Saiba como identificar a leishmaniose canina, quais são os sinais clínicos, como funciona o tratamento e as formas de prevenir a doença.
A leishmaniose visceral canina é uma das doenças parasitárias mais sérias que afetam cães no Brasil. É também uma zoonose — pode ser transmitida ao ser humano pelo mesmo vetor — o que torna seu controle uma questão de saúde pública.
Conhecer os sinais precoces e agir rapidamente faz toda a diferença no prognóstico do animal.
O que é a leishmaniose?
A leishmaniose é causada pelo protozoário Leishmania infantum (também chamado L. chagasi), transmitido pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis). O cão é o principal reservatório urbano da doença.
O parasita afeta órgãos internos como fígado, baço, rins e medula óssea, causando disfunção progressiva em múltiplos sistemas.
Sintomas: como identificar
A leishmaniose tem um período de incubação longo — de meses a anos. Muitos cães são portadores assintomáticos por muito tempo.
Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:
Sinais cutâneos
- Queda de pelo excessiva (pelagem opaca)
- Feridas na pele que não cicatrizam, especialmente no focinho e orelhas
- Descamação (aspecto “enfarinhado” na pelagem)
- Unhas crescendo de forma anormal (onicogrifose)
Sinais sistêmicos
- Emagrecimento progressivo mesmo com apetite mantido
- Aumento do baço e fígado (detectável ao exame)
- Sangramento nasal (epistaxe)
- Inflamação nos olhos (uveíte, conjuntivite)
- Falência renal (em fases avançadas)
- Fraqueza e intolerância ao exercício
Se seu cão apresenta queda de pelo intensa, emagrecimento e feridas que não cicatrizam, procure um veterinário imediatamente para exames específicos.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é feito por combinação de:
- Exame sorológico (ELISA, RIFI): detecta anticorpos contra Leishmania
- PCR: identifica o DNA do parasita — mais sensível
- Punção de medula óssea ou linfonodo: exame direto — confirma diagnóstico
- Hemograma e bioquímica: avalia comprometimento renal e hepático
O teste rápido (imunocromatográfico) é usado em triagens, mas um resultado positivo deve ser confirmado com exame laboratorial mais específico.
Tratamento: o que esperar
O tratamento não cura a doença, mas controla a multiplicação do parasita e melhora significativamente a qualidade de vida do animal.
Protocolo atual no Brasil
Desde 2016, o miltefosine (Milteforan®) é o único medicamento autorizado para tratamento de leishmaniose canina no Brasil em animais domésticos.
- Posologia: 2 mg/kg/dia por via oral, durante 28 dias
- Complemento: alopurinol (indefinidamente, para manutenção)
- Monitoramento: exames periódicos a cada 3-6 meses
O tratamento reduz a carga parasitária e melhora os sinais clínicos, mas o animal continua sendo portador e pode recidivar.
Importante: A eutanásia compulsória de cães positivos foi retirada da política oficial de controle em 2020. O tratamento é hoje a opção recomendada, com monitoramento adequado.
Prevenção: como proteger seu cão
1. Vacina contra leishmaniose
Vacinas como Leishvaccine (Zoetis) e Leishmune (já descontinuada) estimulam a imunidade. A vacinação deve ser feita em cães soronegativos, com reforço anual.
2. Coleira repelente
Coleiras com deltametrina ou permetrina repelem o mosquito-palha por até 6 meses. É uma das medidas mais eficazes no controle individual.
3. Repelentes tópicos
Pipetas e sprays com repelentes protegem especialmente em horários de maior atividade do mosquito: ao entardecer e à noite.
4. Controle ambiental
- Elimine acúmulo de matéria orgânica no quintal (folhas, entulho)
- Use telas finas nas janelas (o mosquito-palha é menor que o mosquito comum)
- Evite passeios noturnos em áreas de mata ou terrenos baldios
Leishmaniose e saúde humana
A transmissão ao humano ocorre somente pela picada do mosquito-palha — não há risco pelo contato com o cão. Porém, o cão infectado serve de reservatório, aumentando o risco de transmissão na vizinhança.
Pessoas imunossuprimidas, crianças e idosos têm maior risco de desenvolver a forma visceral grave. Consulte o médico se houver sintomas como febre prolongada, emagrecimento e aumento do baço.
Conclusão
A leishmaniose canina exige diagnóstico precoce, tratamento contínuo e prevenção ativa. Com o protocolo correto, muitos cães vivem com boa qualidade de vida por anos após o diagnóstico.
Se você mora em área de risco ou seu cão teve contato com outros animais positivos, solicite ao veterinário a realização de testes periódicos — mesmo sem sintomas aparentes.
Conteúdo produzido e revisado pela equipe do VetNaut com base em protocolos e diretrizes veterinárias atuais. Sempre que possível, indicamos a consulta com um médico veterinário de confiança para orientação personalizada.
Este artigo tem caráter informativo. Consulte um médico veterinário para orientação individualizada.
Perguntas Frequentes
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